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Resíduos Agroindustriais: o que torna uma biomassa adequada para produzir biogás?

O crescimento do biogás no Brasil tem ampliado o olhar sobre recursos que, até pouco tempo atrás, eram associados principalmente aos desafios de manejo e destinação. Resíduos gerados pela agroindústria e pela indústria de alimentos passam a ser reconhecidos não apenas pelo volume disponível, mas pelo seu potencial para gerar energia renovável, combustíveis de baixo carbono e fertilizantes biológicos.

A vinhaça é um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação. Historicamente tratada como um subproduto da produção de etanol, ela passou a ocupar um papel estratégico na geração de biogás e biometano. O mesmo movimento vem acontecendo com efluentes agroindustriais e outros resíduos orgânicos que fazem parte da rotina de diferentes cadeias produtivas.

À medida que o país avança na produção de energia renovável e combustíveis de baixo carbono, essas biomassas ganham relevância não apenas pelo volume disponível, mas pela capacidade de gerar energia, reduzir emissões e criar novas oportunidades de negócio.

Mas nem toda biomassa apresenta o mesmo desempenho quando o assunto é geração de biogás. Embora a disponibilidade seja um fator importante, ela está longe de ser o único. A capacidade de produzir energia depende de uma combinação de características físicas, químicas e operacionais que determinam o potencial de aproveitamento de cada substrato.

Entender o que torna uma biomassa adequada para a biodigestão anaeróbia é um passo essencial para transformar resíduos em energia de forma eficiente, sustentável e economicamente viável.

A disponibilidade é importante, mas não é suficiente

O Brasil possui uma das maiores ofertas de biomassa do mundo. Resíduos da produção de açúcar e etanol,efluentes agroindustriais e subprodutos da indústria de alimentos estão distribuídos por diferentes regiões e atividades econômicas.

Essa abundância ajuda a explicar o avanço do setor. Segundo o Panorama do Biogás 2025, a produção nacional superou 5 bilhões de metros cúbicos em 2024, impulsionada principalmente pelo aproveitamento energético de resíduos orgânicos.

No entanto, a simples existência de matéria-prima não garante um bom desempenho na biodigestão. Duas biomassas com volumes semelhantes podem apresentar resultados bastante diferentes na produção de biogás e biometano.

É por isso que a avaliação técnica do substrato se torna uma das etapas mais importantes no desenvolvimento de qualquer projeto.

O que influencia o potencial de uma biomassa para geração de biogás?

A produção de biogás está diretamente relacionada à quantidade de matéria orgânica que pode ser degradada pelos microrganismos presentes no biodigestor.

De forma simplificada, quanto maior a fração biodegradável da biomassa, maior tende a ser sua capacidade de gerar metano. Porém, outros fatores também influenciam esse desempenho.

Entre os principais estão:

  • Concentração de sólidos voláteis;
  • Teor de matéria orgânica disponível;
  • Umidade;
  • Presença de nutrientes essenciais para os microrganismos;
  • Composição química da biomassa;
  • Facilidade de degradação biológica.

A estrutura da biomassa também faz diferença. Materiais com altos teores de lignina, por exemplo, costumam apresentar maior resistência à degradação anaeróbia, exigindo estratégias específicas para maximizar o aproveitamento energético.

Por isso, a análise de uma biomassa vai muito além do volume gerado. O que realmente importa é sua capacidade de ser convertida em biogás de forma eficiente e contínua.

O que os estudos revelam sobre o desempenho das biomassas?

Um estudo apresentado no VII Encontro de Pesquisa e Inovação avaliou o potencial de produção de biogás e metano a partir de diferentes biomassas lignocelulósicas, incluindo sorgo e variedades de capim-elefante. Os resultados mostraram diferenças significativas entre os materiais analisados.

Além da espécie utilizada, fatores como a idade de corte influenciaram diretamente o desempenho energético. O capim-elefante apresentou os melhores resultados de produção de metano em determinadas condições, demonstrando que o manejo da biomassa pode ser tão importante quanto sua escolha.

O estudo também reforça um ponto relevante para projetos de bioenergia: a produtividade não deve ser avaliada apenas pela produção de gás por tonelada de biomassa, mas também pela capacidade de geração de energia por área cultivada.

Essa lógica ajuda a explicar por que algumas culturas energéticas se destacam em projetos dedicados de biodigestão e por que diferentes resíduos agroindustriais apresentam desempenhos distintos quando inseridos em um mesmo sistema.

Escala, regularidade e logística também importam

Uma biomassa tecnicamente eficiente precisa ser também operacionalmente viável. Projetos de biogás dependem de fornecimento contínuo de matéria-prima para garantir estabilidade na produção energética. Nesse contexto, resíduos gerados diariamente por atividades agroindustriais apresentam uma vantagem importante.

A vinhaça produzida nas usinas sucroenergéticas, resíduos do processos de frigoríficos, laticínios, granjas e os efluentes da indústria de alimentos são exemplos de substratos que combinam disponibilidade, regularidade e potencial energético.

Além disso, a proximidade entre a geração do resíduo e a unidade de biodigestão reduz custos logísticos e contribui para aumentar a competitividade dos projetos.

Essa combinação entre qualidade da biomassa, escala de geração e previsibilidade de fornecimento ajuda a explicar por que determinados setores vêm liderando a expansão do biogás no Brasil.

O futuro da bioenergia passa pela escolha correta das biomassas

À medida que o mercado de biogás e biometano amadurece, a seleção da biomassa deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a fazer parte da estratégia do negócio.

As projeções do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2034) apontam para um crescimento significativo do biometano como alternativa para a descarbonização do transporte e da indústria. Nesse cenário, a eficiência dos projetos dependerá cada vez mais da capacidade de identificar, caracterizar e valorizar os resíduos com maior potencial energético.

O futuro da bioenergia brasileira não será definido apenas pela quantidade de biomassa disponível. Ele será construído pela capacidade de transformar os resíduos certos em energia, combustíveis renováveis e novas oportunidades de desenvolvimento.

Transformando biomassa em valor

Na Sebigas Cótica, desenvolvemos soluções para transformar diferentes tipos de biomassas em energia renovável: biogás e biometano. A partir da avaliação técnica dos resíduos disponíveis, identificamos as melhores rotas para maximizar a eficiência energética e a geração de valor para cada operação.

Conheça a tecnologia proprietária da Sebigas Cótica e descubra a biomassa gerada em sua operação pode se tornar um ativo estratégico para a transição energética brasileira.