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O que é biogás e como ele pode transformar resíduos em energia limpa

A busca por soluções energéticas sustentáveis tem se intensificado diante dos desafios climáticos globais e da necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Assim, o biogás surge como uma alternativa promissora, unindo eficiência energética, economia circular e redução de impactos ambientais. Além de reduzir emissões de gases de efeito estufa, essa tecnologia permite o aproveitamento de resíduos agroindustriais, urbanos e rurais de forma eficiente e economicamente viável.

Neste artigo, entenda mais sobre a relevância do biogás, seu processo de produção e os benefícios de sua adoção em diferentes setores da economia, com destaque para o agronegócio.

Mas afinal, o que é biogás?

Biogás é um combustível gasoso renovável gerado a partir da decomposição anaeróbia de matéria orgânica, como resíduos agroindustriais, dejetos animais, resíduos sólidos urbanos e lodo de estações de tratamento de esgoto. Sua composição inclui metano (CH₄), dióxido de carbono (CO₂) e pequenas quantidades de outros gases, como sulfeto de hidrogênio (H₂S). A proporção de cada componente varia conforme a origem dos resíduos utilizados no processo.

O uso do biogás remonta ao século XIX, quando as primeiras instalações de digestão anaeróbia foram desenvolvidas na Europa. Desde então, a tecnologia evoluiu significativamente, incorporando avanços em engenharia, biotecnologia e processos de purificação. Atualmente, o biogás pode ser utilizado para geração de eletricidade, aquecimento e até como combustível veicular, substituindo o gás natural fóssil.

Como o biogás é produzido?

A produção de biogás ocorre por meio da digestão anaeróbia, um processo biológico no qual microrganismos decompõem a matéria orgânica na ausência de oxigênio. Esse processo ocorre em quatro etapas principais:

  1. Hidrólise – quebra das macromoléculas orgânicas (proteínas, lipídios e carboidratos) em compostos mais simples, como açúcares e aminoácidos.
  2. Acidogênese – conversão dos compostos simplificados em ácidos orgânicos, álcool, hidrogênio e dióxido de carbono.
  3. Acetogênese – transformação dos ácidos orgânicos em ácido acético, hidrogênio e mais dióxido de carbono.
  4. Metanogênese – conversão final do ácido acético e hidrogênio em metano e dióxido de carbono.

Os avanços tecnológicos têm permitido maior eficiência na produção de biogás, incluindo digestores de alto rendimento, sistemas de controle automatizados e processos de purificação que convertem o biogás em biometano, um substituto direto do gás natural com pureza acima de 95% de metano.

Aplicações do biogás

O biogás pode ser utilizado de diversas formas, tornando-se uma alternativa viável para diferentes setores da economia:

  • Geração de eletricidade e calor – utilizado em motores a combustão, turbinas ou células a combustível para geração de energia.
  • Substituto do gás natural – o biometano pode ser injetado na rede de gás natural ou utilizado diretamente como combustível veicular.
  • Uso industrial – aplicado em caldeiras e processos industriais que exigem fontes térmicas sustentáveis.
  • Produção de biofertilizantes – o resíduo do processo de digestão anaeróbia pode ser usado como fertilizante agrícola, reduzindo a necessidade de adubos químicos.

Por que o biogás tem sido cada vez mais utilizado pelo agronegócio?

O agronegócio tem sido um dos setores que mais investem em biogás devido à sua capacidade de transformar passivos ambientais em ativos energéticos e financeiros. Entre os principais benefícios estão:

  • Redução de custos – geração de energia elétrica e térmica a partir de resíduos internos, reduzindo a dependência da rede elétrica e custos com fertilizantes químicos.
  • Mitigação das emissões de gases de efeito estufa – captura do metano, que possui um potencial de aquecimento global 25 vezes maior que o CO₂, reduzindo significativamente o impacto ambiental das atividades agropecuárias.
  • Aproveitamento de subprodutos – produção de biofertilizantes ricos em nutrientes, promovendo a melhoria do solo e maior produtividade agrícola.
  • Integração com culturas agrícolas – sistemas de produção que utilizam resíduos da cana-de-açúcar, suinocultura, bovinocultura e outros cultivos para maximizar a eficiência da digestão anaeróbia.
  • Geração de créditos de carbono – projetos de biogás podem se qualificar para a venda de créditos de carbono, criando novas oportunidades de receita.

Segundo estudo do CIBiogás – Centro Internacional de Energias Renováveis publicado em 2021, o Brasil possui um potencial de geração de até 84,6 milhões de metros cúbicos de biogás por dia, o suficiente para substituir parte significativa do gás natural importado e reduzir a emissão de 100 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano.

Além disso, conforme o mesmo estudo, o aproveitamento eficiente do biogás poderia atender até 36% da demanda nacional de energia elétrica, impulsionando a transição energética e a segurança no abastecimento.

Outra boa notícia está no relatório de 2023 da Abiogás, que mostra que a capacidade instalada de biogás no Brasil cresceu significativamente nos últimos anos, alcançando 2,3 bilhões de metros cúbicos anuais, o que representa um avanço na descarbonização da matriz energética e uma oportunidade para o país consolidar sua liderança no setor.

Biogás e a transição energética

O biogás representa um vetor estratégico para a transição energética global, proporcionando segurança energética, redução de emissões e um novo modelo de economia circular para diversos setores. Seu potencial de uso no setor de transportes e na indústria contribui diretamente para a descarbonização da economia e para a independência energética.

Diante do avanço das tecnologias de purificação e do crescimento da demanda por soluções energéticas sustentáveis, o biogás se consolida como um ativo de alto valor estratégico para investidores e empreendedores que buscam soluções inovadoras e financeiramente viáveis.

A transformação de resíduos em biogás representa uma oportunidade real de promover um futuro mais sustentável, reduzindo impactos ambientais e otimizando o uso de recursos naturais. Seu uso crescente no agronegócio e em outros setores reforça sua relevância como alternativa para a matriz energética brasileira.

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