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Como a energia regenerativa transforma o carbono biogênico em valor

A crise climática tem uma origem clara: mais de 75% das emissões globais de dióxido de carbono vêm da queima de combustíveis fósseis. Esse carbono, estocado há milhões de anos no subsolo, foi liberado em menos de três séculos, desequilibrando ciclos naturais e aquecendo o planeta em ritmo acelerado.

O que está em jogo hoje não é apenas a redução das emissões. É a reconstrução dos fluxos vitais que mantêm a vida. Regenerar o planeta exige uma nova lógica de produção energética, baseada em fontes que mantêm o carbono em circulação controlada, sem acumular passivos na atmosfera.

É nesse contexto que o carbono biogênico ganha relevância. Gerado a partir de resíduos orgânicos, como vinhaça, dejetos agropecuários e lodo de esgoto, ele faz parte de um ciclo curto e renovável. Quando reaproveitado com inteligência, torna-se um ativo estratégico para a transição energética e para modelos de economia circular.

A energia regenerativa permite justamente essa virada. Tecnologias como a biodigestão anaeróbica transformam resíduos em biogás, biometano, fertilizantes biológicos e CO₂ biogênico capturado. O que antes era descartado como emissão inevitável passa a ser reaproveitado como recurso estratégico.

Segundo o Relatório de Atividades 2022 da CIBiogás, o aproveitamento do CO₂ biogênico ainda está em fase inicial no Brasil, mas representa uma oportunidade crescente para setores agroindustriais que buscam descarbonização e valorização ambiental com base técnica sólida.

Quer saber mais sobre como gerar valor com carbono biogênico? Continue a leitura do artigo!

O que é carbono biogênico e por que ele importa?

O carbono biogênico é aquele proveniente de fontes orgânicas renováveis. Ele está presente em resíduos agroindustriais, saneamento, agricultura e resíduos urbanos. Sua principal diferença em relação ao carbono fóssil está na origem e no tempo de permanência no sistema: o carbono biogênico circula em ciclos curtos e pode ser reabsorvido sem causar acúmulo climático.

Esse perfil o torna uma ferramenta importante para estratégias de descarbonização. Isso porque, ao invés de ser descartado como gás de efeito estufa, ele pode ser reaproveitado por meio de processos controlados. A digestão anaeróbica é uma das principais tecnologias disponíveis para isso. Ela gera biogás e permite a separação e captura do CO₂ biogênico.

Com grau técnico adequado, esse CO₂ pode ser utilizado em indústrias de bebidas, refrigeração, soldagem, processos químicos e agricultura em estufa. Além disso, o digestato gerado no processo pode ser usado como fertilizante biológico, promovendo o retorno de matéria orgânica ao solo e ampliando os benefícios ambientais do sistema.

Além disso, para empresas que monitoram suas emissões de escopo 1 e 3, o uso de carbono biogênico representa uma alternativa real para substituição de insumos fósseis e redução da pegada de carbono da cadeia produtiva.

Como a energia regenerativa captura e valoriza o carbono biogênico

A energia regenerativa opera como um sistema integrado de reaproveitamento de carbono. Ao processar resíduos orgânicos por meio da digestão anaeróbica, ela gera biometano e fertilizantes, mas também permite a separação e captura do CO₂ biogênico.

Esse CO₂, por sua origem biológica, pode ser reinserido em diversas aplicações industriais com menor impacto climático. Diferente do carbono fóssil, ele não representa uma adição líquida à atmosfera. Seu uso evita a extração de gás carbônico mineral e contribui para a construção de cadeias produtivas mais limpas.

O digestato, subproduto da biodigestão, fecha o ciclo ao retornar ao solo como fertilizante de alta eficiência. Assim, a energia regenerativa não apenas gera energia limpa, mas também reconecta o carbono a usos produtivos e regenerativos.

Com a evolução das tecnologias de purificação e compressão, a valorização do CO₂ biogênico se tornou viável em escala industrial. Projetos no Brasil já aplicam esse modelo, mostrando que é possível reduzir emissões, criar insumos e regenerar sistemas produtivos em uma única operação.

Casos práticos de valorização do carbono biogênico no Brasil

O aproveitamento do carbono biogênico já é uma realidade em alguns projetos no Brasil. Empresas que operam com visão de longo prazo e integração entre energia, resíduos e agricultura vêm estruturando plantas capazes de gerar valor com base em fluxos de carbono renováveis. Esses casos demonstram que é possível transformar emissões inevitáveis em insumos para outras cadeias produtivas, com retorno ambiental e financeiro.

Bioo — Plataforma de biossoluções com valorização do carbono biogênico em Triunfo (RS)

A Bioo atua na transformação de resíduos agroindustriais em bioprodutos de alto valor agregado, estruturando modelos industriais baseados na lógica da energia regenerativa. Por meio da digestão anaeróbica, a empresa converte matéria orgânica em biometano, dióxido de carbono biogênico e fertilizante biológico, integrando energia, insumos industriais e retorno ao solo em um único sistema.

Esse modelo está implementado em escala industrial na planta no município de Triunfo, no Rio Grande do Sul. Desenvolvido pela Sebigas Cótica, com aporte de sua tecnologia e investimento com eB Capital, o projeto utiliza resíduos agroindustriais como substrato para a produção de biometano, a captura e purificação do CO₂ biogênico gerado no processo e a transformação do digestato em fertilizantes biológicos.

O CO₂ biogênico capturado é destinado a aplicações industriais e alimentícias, reduzindo a dependência de carbono fóssil nesses setores. Já os biofertilizantes retornam ao campo, contribuindo para a regeneração do solo e o fechamento do ciclo do carbono. A usina reúne, em uma única operação, diferentes frentes de valorização ambiental e econômica, demonstrando como emissões antes inevitáveis podem se tornar insumos estratégicos para cadeias produtivas mais limpas e eficientes.

São Martinho — Energia limpa a partir da vinhaça e torta de filtro

O grupo São Martinho, referência no setor sucroenergético, iniciou sua atuação no mercado de biometano com apoio técnico da Sebigas Cótica. O projeto utiliza vinhaça como substratos para gerar biometano, substituindo o diesel na frota agrícola. O carbono biogênico presente nesses resíduos é mantido dentro do sistema produtivo, contribuindo para a descarbonização da operação e reforçando a lógica circular da cadeia da cana-de-açúcar.

Esses dois casos demonstram que o carbono biogênico não é apenas uma variável técnica. Ele é parte de uma estratégia regenerativa que une energia, solo, indústria e sustentabilidade financeira. Quando bem estruturados, os projetos permitem gerar valor com base em fluxos de carbono renováveis, fechando ciclos, reduzindo impactos e abrindo novas possibilidades para o setor produtivo.

Benefícios estratégicos da valorização do carbono biogênico

Redução real de emissões e avanço em metas ESG

Como parte de um ciclo curto, o carbono biogênico não gera acúmulo de CO₂ na atmosfera. Seu reaproveitamento em processos produtivos reduz emissões de escopo 1 e 3, atendendo diretamente a metas de descarbonização adotadas por grandes empresas e exigidas por cadeias internacionais de valor.

Substituição de insumos fósseis e ganho reputacional

Ao substituir fontes fósseis por carbono renovável em aplicações industriais e agrícolas, empresas demonstram compromisso com a transição energética. Isso gera diferencial competitivo e fortalece o posicionamento da marca em mercados que valorizam cadeias limpas e rastreáveis.

Geração de novas receitas e retorno sobre ativos ambientais

A captura e comercialização do CO₂ biogênico, seja como insumo industrial ou como crédito ambiental, pode abrir fontes adicionais de receita. Em projetos estruturados, o carbono deixa de ser custo para se tornar componente estratégico da rentabilidade.

Integração entre energia, solo e cadeia produtiva

 A valorização do carbono biogênico permite uma conexão direta entre energia limpa, agricultura regenerativa e logística industrial. O digestato retorna ao solo como fertilizante. O biometano substitui o diesel. O CO₂ purificado abastece segmentos que hoje dependem de insumos fósseis. Tudo dentro de um mesmo fluxo contínuo.

Alinhamento com políticas públicas e instrumentos de mercado

Projetos que valorizam o carbono biogênico estão alinhados com marcos legais como o RenovaBio, e podem se beneficiar de instrumentos como créditos de descarbonização (CBIOs), incentivos à economia circular e esquemas voluntários de carbono.

O carbono biogênico já é um insumo valorizado em projetos que integram energia limpa, agricultura e indústria. Quando reaproveitado com inteligência, ele reduz emissões, substitui insumos fósseis e gera novas fontes de receita. A energia regenerativa viabiliza essa virada com base técnica sólida e impacto real.

Na Sebigas Cótica, estruturamos projetos que transformam emissões em valor. Quer entender como aplicar isso no seu negócio? Fale com nosso time.